Resenha | Tão mais bonita, de Cara Hoffman



“Sob os paralelepípedos, a praia.”
Tão mais bonita... deveria ser um titulo que remetesse a algo leve, uma estória de amor ou de superação. Porém, remete a algo mais intenso, mais cruel. Precisamos falar de um tipo de violência enraizado em muitas culturas, que possui uma vitima em potencial: Mulher.
Colocar mulher no singular como se fosse uma única vitima, é muito vago, levando em conta que somos praticamente a maior parte da população mundial. Como a autora declara já no inicio do livro, quando se é mulher, características normais, podendo ser loira ou morena, entre 1,60 e 1,70 metros, garçonete ou recepcionista, talvez com dois empregos... Fica muito fácil simplesmente desaparecer. E segundo as estatísticas, sumir pelas mãos de alguém do ciclo de convivência.

Vi várias criticas negativas de Tão mais bonita, e na verdade só consegui chegar à conclusão de que: muitos leitores não compreenderam a sutil mensagem de violência contida em suas páginas. Muitos nem sequer entenderam o que aconteceu com Wendy.

Wendy, foi sequestrada, foi trancada em um sótão, teve seu corpo usado por meses, até ser literalmente sugada sua existência e então, descartada como lixo, um peso morto...
“Até que ponto é descartável a vida de uma mulher? Até que ponto é esperada? Até que ponto não é surpreendente? Até que ponto é normal? Quantas vezes por semana, mês, ano isso acontece?”
Toda a história acontece em Headen, cidadezinha típica no interior de Nova York, todos se conhecem, tem raízes na cidade e onde pessoas de fora são consideradas forasteiras indesejáveis, logo quando Wendy desapareceu tiveram a certeza que fora um desses o culpado. Não poderia ser alguém de Headen.

Flynn, jornalista, se muda para Headen querendo fazer a diferença e logo descobre que a cidade que parece um sonho na verdade é um pesadelo, com pessoas alienadas e com uma fábrica de laticínio que polui a cidade. Flynn se envolve com o desaparecimento de Wendy, e quer mais do que tudo encontrar a garota, mas ninguém colabora. Quando encontram o corpo de Wendy, Flynn escreve uma matéria que sacode a cidade. Choveu criticas, mas balançou Alice.

Alice era filha dos Piper, médicos que largaram a profissão e se mudaram para Headen para criar a filha com mais qualidade, sem apegos e com tranquilidade. Alice, cresceu questionadora e revolucionária, com a visão de sustentabilidade dos pais. Aos 15 anos, questionava essa visão também. E foi a maneira como Alice enxergava as coisas, que a reportagem de Flynn sobre Wendy e desaparecimento de mulheres mudou.


“Não seria muito racional aceitar que moro dentro de uma coisa feita de carne que alguém captura, esconde e depois entra na fila para estuprar.”

Alice observa, junta as peças e entende o que aconteceu com Wendy. Não podendo provar e decidida a fazer a diferença, ela é a autora de um atentado na escola onde assassina os culpados do abuso de Wendy. Ela vê o mundo ao inverso, vê a realidade nua, sem as máscara das convenções e falsidades sociais. Sem a visão utópica que os pais tinham de custo beneficio.

“Sob os paralelepípedos, os campos, o estacionamento, os bosques, jaz outra coisa.”
Tão mais bonita, é confuso, não é narrado de forma linear. Toda a apresentação que a autora faz de Headen e as provas circunstanciais que apresenta após os crimes na perspectiva de Flynn, é proposital. É para criar o cenário, de que Headen pode ser qualquer lugar que eu ou você conhecemos. Como eu disse, é pra apresentar de forma sutil, uma realidade desumana. Portanto, tem que prestar atenção as datas e fatos apresentados no livro.

Para entender, temos que ter sensibilidade, saber que perante a sociedade a mulher é sim uma vitima em potencial, simplesmente porque nasceu mulher. Só o leitor sabe os fatos completos, conhece toda a verdade sobre Wendy, só basta ter essa sensibilidade de entende-la.



Nota:


Ficha Técnica:
Título: Tão mais bonita
Título Original: So Much Pretty
Autor(a): Cara Hoffman
Editora: Intrínseca
Páginas: 272
Sinopse: Haeden é uma pequena cidade no norte do estado de Nova York que tem como principal empregadora uma fábrica de laticínios. Seus habitantes são pessoas que fincaram raízes por lá e nunca mais foram embora – pessoas que não gostam muito de forasteiros. É o caso da família Piper, que fugiu da confusão da cidade grande com sua precoce e encantadora filha, Alice, procurando um novo começo, e de Wendy White, uma mulher doce e caseira, que desapareceu misteriosamente.Recém-chegada a Haeden, a repórter Stacy Flynn decide reconstituir a vida de Wendy, que fora assassinada, organizando todos os fragmentos que encontra na tentativa de solucionar o caso. Ela escreve um apaixonado artigo para o jornal local, que desperta em Alice o desejo de também investigar o crime. Enquanto Alice e Flynn, separadamente, observam as pessoas ao redor em busca do assassino, o destino de Alice é entrelaçado para sempre ao de Wendy, quando um segundo crime abala as estruturas da cidade.


11 comentários:

  1. Eu já gostei da história sem ao menos lê-la, pode isso?
    Claro que pode. Ainda mais quando levamos todo o enredo e os acontecimentos em conta.
    Se sem ler, eu consegui perceber a essência da história. Agora imagino lendo.
    Obrigada pela sugestão!

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  2. Olá!
    Achei a premissa da história bastante interessante pela temática abordada na trama.
    O fato de não ter uma narrativa linear, talvez me incomode um pouco, mas ainda assim pretendo ler, pois fiquei bem curiosa para conhecer como a história foi desenvolvida.
    Beijos.

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  3. Olá, tudo bem?
    Não gostei muito da obra, não é um estilo de leitura á qual eu estou acostumada, por isso vou passar a dica.
    Um beijo.

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  4. Adorei sua resenha, esse livro parece ser daqueles que o autor coloca o leitor para pensar...Ainda não conhecia o livro mas gostei muito da indicação...Bjs

    www.livrosemretalhos.com.br

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  5. Não tinha lido nenhum resenha do livro, por isso não sabia o que esperar dele. Gostei da forma como o mistério vai sendo conhecido, fazendo o leitor pensar e analisar os fatos. Dica anotada.
    Bjs

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  6. Não conhecia a obra, mas já gostei da premissa. Gosto muito de narrativas de crime e mistério. Parece ser um daqueles livros que nos pegam de jeito, que não conseguimos largar. Adorei a dica!

    Tatiana

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  7. Compreendo a confusão da leitura por não ser uma obra linear, mas tida trama oi que a história é contada, faz isso ser um mero detalhe. Fiquei bem curiosa com essa obra.
    Bjim!
    Tammy

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  8. Olá !!! Ainda não conhecia, mas vou anotar a indicação.
    Gostei bastante da sua resenha, sincer e direta.
    Vale super a pena conhecer. bjooooooo

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  9. Oi, Marco :)
    Bom, já tinha visto essa obra em promos da Americanas e nunca a comprei por achar a capa muito simples e nada que chama-se a atenção, mas vejo o quanto estava errado!
    A sua resenha me permitiu ter uma nova perspectiva dessa obra e desejar poder ler o quanto antes ela, mesmo tendo uma história não linear que acredito ser um dos fatores para se ter tantas resenhas negativas, linearidade é algo que prezados como leitores e quando não a temos parece que estamos a toda hora andando sobre ovos.
    Realmente, Wendy deve ter sofrido bastante e me parte o coração saber que ninguém sentia a sua falta, foi o que percebi durante as suas impressões.
    Posso não concordar com a atitude que a Alice tomou, mas entendo as motivações.
    Espero poder ler a obra e dar as minhas opiniões também.
    Abraços.

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  10. Não conhecia o livro.
    Achei ele um pouco pesado, mas muito interessante.
    Fiquei curiosa para entender melhor a história que ele conta.

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  11. Oii
    Sou dessas que julga o livro pela capa.. rsrsr Já o vi por ai, mas nunca me interesse em ler. Mas, depois da sua resenha, eu tive uma outra visão sobre o livro e quem saber vir a lê-lo.

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